
Numa mesma conversa, Seu Jorge fala sobre a dança das cadeiras mundial, construção da obra com parceiros, capacitação do mercado de entretenimento, música negra, brasileira, americana, suingue; muitos suingues; no álbum “Músicas para Churrasco Vol. 1“ o som é dedicado à festa. Dançar, cantar, cantar com o outro, se reconhecer na música; disco para ser colocado nas caixas de som do churrasco, ou de outra cervejada. “Eu imaginei uma grande vizinhança e um disco de músicas animadas. Pensando nessas pessoas que nos finais de semana se juntam, se encontram para comer, dançar e beber”, diz Seu Jorge, que, todos sabem, tem o dom de envolver com sua música e presença de espírito o povo e a elite. Em seu disco, ele costura festas na laje ou na cobertura com sua marca de samba, funk, groove, metais, e arranjos utilizando instrumentos ora acústicos ora elétricos, ora vintage. “O disco tem vários componentes, não posso classificar o todo como um gênero só, porque passeia muito pelas influências da música brasileira e da música do mundo. Então acho que qualquer definição fica a cargo do público. Eles que vão dizer e reconhecer”, diz ele.
Público este que aceitou e aclamou Seu Jorge e sua música. Cada vez mais popular, ele conquista respeito por onde passa. Agora é a vez deu seu próprio canteiro. “Adoro a Europa, a França é minha segunda casa, tenho o respeito e o carinho de toda a imprensa e público da Inglaterra, a curiosidade e o interesse de todo o público alemão, a alegria e despojamento do pessoal da Espanha e Portugal, nos EUA também há um interesse e a vontade de continuar uma edificação ali, mas sinto que há uma demanda aqui, o futuro é aqui; o meu país, assim como o meu povo, são minhas prioridades”, avisa. Participações com nomes como Ivete Sangalo, Alexandre Pires e U2, além de atuações em filmes como Cidade de Deus, Tropa de Elite 2 e Life Aquatic foram cruciais neste processo. “Quando eu ia imaginar que o U2 iria chegar no Brasil e me convidar para fazer um som com eles? As coisas acontecem de forma inesperada, mas em momentos especiais, como os duetos com a Ivete e o Alexandre, tudo isso vai me empurrando para mais perto do público”.

E com o “Músicas para Churrasco Vol. 1“, criado em um insight no final do ano passado durante turnê com o projeto Almaz, Seu Jorge volta para si, busca suas maiores influências e parceiros para construir mais um andar - ou alguns quilômetros - nesta carreira tão inconstante quanto surpreendente de um artista brasileiro diferenciado, sem regras e com talento para fazer suas escolhas darem certo. Neste “disco de carreira”, dentre tantos trabalhos fracionados por álbuns para o exterior, duetos, trilhas e atuações no cinema, Seu Jorge retoma sua marca iniciada no Farofa Carioca, passa por seus álbuns solos Samba Esporte Fino e América Brasil e estabelece sua identidade, dividida com os parceiros de sempre Rogê, Gabriel Moura e Pretinho da Serrinha e colaborações nobres como a do Miguel Atwood-Ferguson Ensemble.
A sonoridade do disco - não se engane quem acha que os recursos são econômicos por se tratar de um churrasco popular - reúne o Conjuntão Pesadão, banda de Seu Jorge, o auxílio luxuoso de músicos e naipe de metais da cena musical de Los Angeles, arregimentados por Mario Caldato Jr, amigo e produtor desde sua estréia profissional; sem falar nos arranjos de cordas de Atwood-Ferguson e de sopros de Joey Altruda. Ao final do texto a lista de músicos das gravações.

As 10 músicas do álbum trazem a identidade de Seu Jorge; carioca, 41 anos, cidadão do mundo, residente em São Paulo. As letras expressam sua formação social, atestam seu diálogo direto e coerente com todo tipo de público, aproximam personagens e, consequentemente, a vida real de quem as ouve, como uma ópera social dançante, uma “rapsódia suburbana” embalada por um suingue próprio, como o que corre nas veias de todos os brasileiros. “As personagens foram pintando e aí eu percebi que estava fazendo um filminho. Eu não as conheço, mas sei que existem pessoas com esse perfil. E eu queria falar delas, e queria falar para elas também”.
O suingue de A Doida abre a pista já mostrando como será o clima do disco, com letra bem humorada e coro para virar gíria de turma. Meu parceiro segue o clima, com introdução injetada de eletrônica e suingue, exaltando o amigo fiel e farrista “que ainda chega cheio de mulher”. O acento black de Seu Jorge chega forte nos metais de A Véia, “aquela coroa que depois de criar os filhos vai curtir a vida no bingo, com as amigas, e o pobre do coroa reivindica a presença dela, porque ele também tem amor pra dar”, conta. Íntimo do samba, ele mostra uma versão moderna do gênero em Dois Beijinhos, bom para dançar coladinho.
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| Amigos de imprensa |
Sua marca registrada sonora continua em Vizinha, com suingue cadenciado e cuíca que conduz a imaginação do autor sobre a moça que mora ao lado e que todos querem saber se tem namorado. E segue em Amiga da minha mulher, música para cantar junto mandando recado para os amigos, num mix de cavaco-teclado-metais pra lá de envolvente.

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| FOTOS/ IRES MORAES |


