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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Seu Jorge - Disco faz rapsódia suburbana em letras, música e gêneros

 



Numa mesma conversa, Seu Jorge fala sobre a dança das cadeiras mundial, construção da obra com parceiros, capacitação do mercado de entretenimento, música negra, brasileira, americana, suingue; muitos suingues; no álbum “Músicas para Churrasco Vol. 1“ o som é dedicado à festa. Dançar, cantar, cantar com o outro, se reconhecer na música; disco para ser colocado nas caixas de som do churrasco, ou de outra cervejada. “Eu imaginei uma grande vizinhança e um disco de músicas animadas. Pensando nessas pessoas que nos finais de semana se juntam, se encontram para comer, dançar e beber”, diz Seu Jorge, que, todos sabem, tem o dom de envolver com sua música e presença de espírito o povo e a elite. Em seu disco, ele costura festas na laje ou na cobertura com sua marca de samba, funk, groove, metais, e arranjos utilizando instrumentos ora acústicos ora elétricos, ora vintage. “O disco tem vários componentes, não posso classificar o todo como um gênero só, porque passeia muito pelas influências da música brasileira e da música do mundo. Então acho que qualquer definição fica a cargo do público. Eles que vão dizer e reconhecer”, diz ele.

Público este que aceitou e aclamou Seu Jorge e sua música. Cada vez mais popular, ele conquista respeito por onde passa. Agora é a vez deu seu próprio canteiro. “Adoro a Europa, a França é minha segunda casa, tenho o respeito e o carinho de toda a imprensa e público da Inglaterra, a curiosidade e o interesse de todo o público alemão, a alegria e despojamento do pessoal da Espanha e Portugal, nos EUA também há um interesse e a vontade de continuar uma edificação ali, mas sinto que há uma demanda aqui, o futuro é aqui; o meu país, assim como o meu povo, são minhas prioridades”, avisa. Participações com nomes como Ivete Sangalo, Alexandre Pires e U2, além de atuações em filmes como Cidade de Deus, Tropa de Elite 2 e Life Aquatic foram cruciais neste processo. “Quando eu ia imaginar que o U2 iria chegar no Brasil e me convidar para fazer um som com eles? As coisas acontecem de forma inesperada, mas em momentos especiais, como os duetos com a Ivete e o Alexandre, tudo isso vai me empurrando para mais perto do público”.


E com o “Músicas para Churrasco Vol. 1“, criado em um insight no final do ano passado durante turnê com o projeto Almaz, Seu Jorge volta para si, busca suas maiores influências e parceiros para construir mais um andar - ou alguns quilômetros - nesta carreira tão inconstante quanto surpreendente de um artista brasileiro diferenciado, sem regras e com talento para fazer suas escolhas darem certo. Neste “disco de carreira”, dentre tantos trabalhos fracionados por álbuns para o exterior, duetos, trilhas e atuações no cinema, Seu Jorge retoma sua marca iniciada no Farofa Carioca, passa por seus álbuns solos Samba Esporte Fino e América Brasil e estabelece sua identidade, dividida com os parceiros de sempre Rogê, Gabriel Moura e Pretinho da Serrinha e colaborações nobres como a do Miguel Atwood-Ferguson Ensemble.

A sonoridade do disco - não se engane quem acha que os recursos são econômicos por se tratar de um churrasco popular - reúne o Conjuntão Pesadão, banda de Seu Jorge, o auxílio luxuoso de músicos e naipe de metais da cena musical de Los Angeles, arregimentados por Mario Caldato Jr, amigo e produtor desde sua estréia profissional; sem falar nos arranjos de cordas de Atwood-Ferguson e de sopros de Joey Altruda. Ao final do texto a lista de músicos das gravações.


As 10 músicas do álbum trazem a identidade de Seu Jorge; carioca, 41 anos, cidadão do mundo, residente em São Paulo. As letras expressam sua formação social, atestam seu diálogo direto e coerente com todo tipo de público, aproximam personagens e, consequentemente, a vida real de quem as ouve, como uma ópera social dançante, uma “rapsódia suburbana” embalada por um suingue próprio, como o que corre nas veias de todos os brasileiros. “As personagens foram pintando e aí eu percebi que estava fazendo um filminho. Eu não as conheço, mas sei que existem pessoas com esse perfil. E eu queria falar delas, e queria falar para elas também”.




O suingue de A Doida abre a pista já mostrando como será o clima do disco, com letra bem humorada e coro para virar gíria de turma. Meu parceiro segue o clima, com introdução injetada de eletrônica e suingue, exaltando o amigo fiel e farrista “que ainda chega cheio de mulher”. O acento black de Seu Jorge chega forte nos metais de A Véia, “aquela coroa que depois de criar os filhos vai curtir a vida no bingo, com as amigas, e o pobre do coroa reivindica a presença dela, porque ele também tem amor pra dar”, conta. Íntimo do samba, ele mostra uma versão moderna do gênero em Dois Beijinhos, bom para dançar coladinho.

Amigos de imprensa

Sua marca registrada sonora continua em Vizinha, com suingue cadenciado e cuíca que conduz a imaginação do autor sobre a moça que mora ao lado e que todos querem saber se tem namorado. E segue em Amiga da minha mulher, música para cantar junto mandando recado para os amigos, num mix de cavaco-teclado-metais pra lá de envolvente.

FOTOS/ IRES MORAES