Este mês, além do UFC, o Rio recebe o show Shooto, no Bope – que abre as portas pela primeira vez para um evento para convidados, no próximo dia 25. Na mesma ocasião, será lançado o campeonato RFR (Rio Fight Revolution), com padrões e regras internacionais
Um dos esportes que mais cresce no mundo e, depois do futebol, o mais assistido pela televisão, o MMA (Mixed Martial Arts), é a modalidade de artes marciais que usa técnicas de vários tipos de luta. No Brasil, virou febre. E, neste mês de agosto, o antigo Vale Tudo ganha destaque em dois eventos no Rio: além da edição nacional do Ultimate Fighting Championship (UFC), no HSBC Arena, no próximo dia 25 haverá mais uma edição do Shooto Brasil, dentro do Bope. Fechado para convidados, o quartel abre pela primeira vez suas portas para algo do gênero. Na ocasião, será lançado oficialmente o RFR (Rio Fight Revolution), que promete ser o UFC brasileiro em organização, produção e nível de atletas. Ainda este ano, haverá a primeira etapa do evento, também no Rio.
Antes mesmo de ser lançado, o RFR, que tem o carioca André Pederneiras e o empresário Wolney Figueiredo na presidência, já tem transmissão garantida pela TV: canais como Combate e pay-per-view internacional garantiram os direitos. O mesmo aconteceu com um canal aberto americano, tamanho o crescimento do esporte.
A ideia de fazer o evento no Bope foi de Pederneiras – considerado o melhor técnico de MMA do mundo e descobridor de vários talentos do esporte que hoje lutam no UFC – e de Wolney, adepto do jiu-jítsu. Também fundador da Nova União (uma das maiores e mais respeitadas equipes do mundo), Pederneiras treina, atualmente, seis representantes nos ringues do UFC: José Aldo, Diego Nunes, Renan Barão, Luiz Beição, Ronny Markes e Johnny Eduardo. Seu time tem um dos melhores aproveitamentos no esporte. Faixa preta de jiu-jítsu de Carlson Gracie, ele também é presidente da organização Shooto América do Sul, considerada a maior exportadora de atletas para eventos internacionais.
- A realização do UFC em agosto aqui no Rio será um divisor de águas. A cidade estará respirando lutas. Ao contrário do que muita gente pensa, não “vale tudo” no MMA. O esporte está se transformando, com regras mais claras, daí a mudança no nome – explica André, conhecido como Dedé, ídolo de atletas brasileiros e estrangeiros, que o chamam de “mestre”. Ele já treinou famosos do esporte como B.J.Penn, John Lewis, Marc Laimon, Vitor Shaolin e Thales Leites.
Wolney concorda com a observação de Pederneiras:
- É incrível, mas o MMA, hoje, causa menos lesões do que o boxe e tem a mesma quantidade de lesões de outros esportes. Como agora não mais “vale tudo” nas lutas de MMA, ele machuca tanto quanto o futebol. Por isso tem atraído tantos fãs, inclusive do sexo feminino, por exemplo.
Os eventos de MMA só tendem a crescer ainda mais, e os fãs do esporte já estão ansiosos com o lançamento do RFR. Os números do UFC, por exemplo, são impressionantes: gera mais de 2 bilhões de dólares. Os 18 mil ingressos para o evento do UFC Rio, no próximo dia 27, foram vendidos em menos de uma hora, com preço médio de mil reais.
Entrevista com André Pederneiras
O Brasil sempre foi um celeiro de campeões de Mixed Martial Arts, mas no último ano o esporte vem crescendo ainda mais no país e no mundo. Qual é a sua expectativa para o futuro do MMA?
André Pederneiras - O céu é o limite para o MMA no Brasil e no mundo. Observamos cada vez mais atletas brasileiros nas principais competições e, na maioria das vezes, com resultados excelentes. O Brasil é um grande exportador de lutadores, principalmente para os Estados Unidos. A realização do UFC em agosto, no Rio de Janeiro, será um divisor de águas.
Você é co-fundador da Nova União, equipe que detém um impressionante número de vitórias. Qual é a receita para este sucesso contínuo?
A.P. - Muito trabalho, sem dúvida. A Nova União tinha atletas lutando, em média, 100 vezes por ano. Em 2011 a gente diminuiu o ritmo das lutas, mas estamos presentes em eventos maiores, muitos fora do Brasil. Manter a mesma média em eventos internacionais mostra que a equipe está bem sólida.
Qual foi o aproveitamento da Nova União nos últimos cinco anos?
A.P. - Entre 2006 e 2010, o aproveitamento foi superior a 80%, com 289 vitórias em 353 lutas. Nos seis primeiros meses de 2011, a equipe venceu 28 lutas e sofreu apenas cinco derrotas. São 317 triunfos desde 2006. Eu acredito que seja um dos melhores aproveitamentos do mundo.
A.P. - Entre 2006 e 2010, o aproveitamento foi superior a 80%, com 289 vitórias em 353 lutas. Nos seis primeiros meses de 2011, a equipe venceu 28 lutas e sofreu apenas cinco derrotas. São 317 triunfos desde 2006. Eu acredito que seja um dos melhores aproveitamentos do mundo.
O Shooto têm exportado cada vez mais atletas para importantes eventos internacionais. Como presidente do Shooto América do Sul, como você vê esse cenário?
A.P. – Fico muito confiante. O Shooto japonês lançou grandes nomes, como Rickson Gracie (Japan Open), Royler Gracie (Japan Open), Alexandre Pequeno, Anderson Silva, Shaolin, Robson Moura, João Roque (Japan Open/Shooto), Ninja, Marcio Cromado e muitos outros. O Shooto América do Sul segue o mesmo caminho. A lista dos atletas que começaram no Shooto Brasil e hoje estão nos maiores eventos do mundo é grande, mas posso destacar alguns da Nova União, como José Aldo, Marlon Sandro, Renan Barão, Diego Nunes e Ronys Torres.
O que podemos esperar do Shooto Brasil em 2011?
A.P. – Teremos dois eventos em agosto: um no dia 5, no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília (mais informações: http://shootobrasilia.com.br/) e o do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais), no dia 25. O do Bope é inspirado no Fight for the Troops (https://www.fightforthetroops.com/), que é muito famoso nos Estados Unidos. Serão oito lutas, com lutadores como Glover Teixeira, Ronys Torres e Hacran Dias. O evento será fechado para os oficiais e acontecerá dois dias antes do UFC. Não há dúvidas de que o Shooto é uma escada para a carreira internacional dos lutadores, o maior exportador de atletas para eventos internacionais.
Existe receita para formar um campeão?
A.P. – Eu já formei quase 100 faixas pretas no jiu-jítsu e sei que não existe fórmula e sim um trabalho bem feito e com foco. Os principais nomes da Nova União são atletas completos em seus jogos. No MMA moderno os lutadores precisam treinar tipos diferentes de lutas. O mais importante para o atleta chegar lá é ter um bom desempenho e lutar em eventos que coloquem seus resultados no Sherdog, o maior site de lutas do mundo.
O que a gente pode esperar da Nova União para 2011?
A.P. – Nossa intenção é manter o mesmo ritmo e os resultados dos últimos cinco anos. Se conseguirmos permanecer com esse aproveitamento, estará ótimo. É claro que a gente procura sempre melhorar, mas acho que o mais importante é não cair. E com trabalho e dedicação a gente vai cada vez mais longe.
