Durante 03 anos consecutivos a Virada Cultural abrigou uma importante Mostra dos Teatros Independentes de São Paulo, dando a chance para que esses espaços pudessem mostrar suas programações e seus trabalhos com jovens artistas e parceiros.
Em 2013 foram 03 teatros, já em 2014 conseguimos que 12 teatros e espaços participassem com 02 peças por teatro além de oficinas, leituras, debates e intervenções urbanas; em 2015, ampliamos para 15 teatros e espaços com 02 espetáculos por teatro.
Os Teatros Independentes, geridos por grupos teatrais, do centro e da periferia, vinham participando da virada com uma programação extensa e diversificada que envolvia espetáculos próprios (dos grupos que residem nos espaços), espetáculos de parceiros, espetáculos que envolvem alunos e jovens artistas, além de oficinas, leituras dramáticas, intervenções, saraus, entre outros.
Neste ano a Secretaria Municipal de Cultura, sem qualquer consulta aos teatros independentes, decidiu suprimir a Mostra dos Teatros, passando a adquirir uma cota de ingressos com os produtores de espetáculos, sejam eles ligados ou não aos teatros independentes.
Alguns teatros independentes terão apresentações de espetáculos próprios ou de terceiros, mas escolhidos pela Secretaria de Cultura exclusivamente, sem a participação dos teatros independentes, não caracterizando mais a mostra que tanto sucesso obtinha.
A Virada dos Teatros Independentes foi uma grande conquista desses espaços, mobilizando um grande número de pessoas das comunidades do entorno (aos teatros) e de outras regiões da cidade, muitos deles que nunca haviam entrado num teatro ou naquele espaço. No ano passado o cartunista Eloar Guazzeli criou uma estampa exclusiva para a Mostra (Anexo)
É uma forma de mostrar à cidade esses pequenos espaços que tem uma forma de produção singular e um caráter intimista que muita gente desconhece, afirma Anette Naiman do Teatro Garagem e integrante da Rede de Teatros Independentes.
A Mostra dos Teatros Independentes, suprimida nesta virada, sem qualquer negociação com os teatros, representa um custo irrisório para a Secretaria de Cultura e é de grande importância para dar visibilidade aos Teatros de Rua e Independentes.
Nós sempre estivemos abertos ao diálogo e se a Secretaria neste ano tem menos verba para a virada, tínhamos grande interesse em pensar formas de manutenção da mostra dos teatros independentes, afirma Marcelo Mendes, do Teatro Paiol e integrante da Rede de Teatros Independentes.
Além disso, abre as portas de pequenos espaços que durante todo o ano mantém uma programação de alto nível, à preços populares, resistindo bravamente para se manter.
O trabalho dos teatros independentes tem um caráter público já que oferecemos uma programação de nível a preços populares, diz Augusto Marin, do Teatro Commune e integrantes da Rede de Teatros Independentes.