O grupo e o diretor convidado partiram da temática do corpo LGBTQ+ e questões relacionados a isso. Os artistas e Iarlei foram buscar um pouco da história desse público no Arouche e como eles se relacionam com esse território. A ideia do cordão como estrutura para a intervenção veio, segundo Iarlei, porque no Carnaval o preconceito acaba ficando atrás de máscaras ou essas máscaras acabam servindo para que esses corpos fiquem libertos e sofram menos risco.
Mesmo que a intervenção tenha um fundo leve, reflexões mais políticas e urgentes estarão presentes. O grupo irá falar sobre a morte recente de pessoas LGBT já no próprio nome do cordão, uma vez que peito oco faz uma alusão ao coração arrancado do peito da mulher trans, Quelly da Silva, morta em janeiro deste ano e também ao assassinato de Jéssica Gonzaga, no próprio Arouche, no final do ano passado. Além disso, a intervenção também irá falar sobre a descaracterização do Largo do Arouche na gestão municipal passada, uma vez que o Prefeito Dória quis dar um tom de boulevard francês ao espaço sem nem ao menos consultar a população sobre o assunto.
Tudo acontece seguindo o esquema de um cordão de Carnaval, com algumas cenas definidas anteriormente, com um tom de ironia e humor para que algumas coisas sobre o tema sejam abordadas de maneira mais leve, com o público junto aos artistas, cantando e dançando ao ritmo do Samba Enredo criado pelo grupo para a intervenção.

Para roteiro
CORDÃO DO PEITO OCO - De 27 de fevereiro a 1º de março, quarta a sexta, com concentração às 18h30 e saída às 19 horas, no Largo do Arouche. Grátis (não é necessário retirar ingressos). Duração - 60 minutos. Direção - Iarlei Rangel. Elenco - Caio Marinho, Caio Franzolin, Gabriel Küster, Paula Paira, Juliana Oliveira, Maria Silvia, Rebeka Teixeira.
Largo do Arouche - Próximo da Banca