Jovens fãs de Beatles, mas com os ouvidos atentos para os sons contemporâneos de bandas britânicas (ou de acento british) como Oasis, Kaiser Chiefs e a americana de alma inglesa The Killers, os paulistanos do STEVENS já chegam fazendo a diferença por evitar o tal do ‘rock colorido’. A diferença não está só no vestir, que remete algo às bandas mod dos anos 60, mas no approach de suas letras, aparentemente com queda mais para o romântico, mas que, na verdade, armazenam um conteúdo rico em observações sobre a vida e o viver urbano atual, ainda que eles sejam bem novos.
E os meninos mandam bem: são bons em seus instrumentos (o baterista Luca, por exemplo, do 'alto' de seus 17 anos, impressiona), dominam os sons e tons das guitarras (divididas entre Ricco e Adam), se expressam bem nas letras e arranjos (a maioria a cargo de Adam, Ricco e do baixista Keko); e são articulados em seus raciocínios. Por isso, vão alem do romantismo aparente:
-- A gente não vê problema, em termos de temas, em falar de amor -- diz o vocalista e guitarrista Ricco, que, junto com o também vocalista e guitarrista Adam, responde pelas pessoais e intrigantes letras do STEVENS.
-- Neste segundo disco, alguns dos temas já são diferentes, como dá para notar em letras como "Outro lado", "SimpIes recomeço" e "Não é o bastante", por exemplo -- diz Adam.
As músicas citadas, entre outras (num total de 13 faixas), mostram uma evolução no universo lírico do STEVENS. Até porque, Adam, por exemplo, hoje com 18 anos, tinha 14 quando compôs algumas das letras do primeiro trabalho. O próprio tempo, e principalmente a vivência dos quatro rapazes vai imprimindo a sua marca nas letras, nas experiências deles.
Também foi feliz o encontro do STEVENS com o produtor inglês radicado no Brasil Paul Ralphes, que soube traduzir essa ‘alma britânica’ da banda.
-- Trabalhar com o Paul foi a maior experiência de aprendizado que tivemos na vida -- diz Ricco. -- Sou contra esse lance de não valorizar o toque nacional. Mas o rock é basicamente inglês. E Paul é inglês, saca tudo e soube valorizar esse nosso lado. Ele tem uma visão diferente dos produtores daqui.
E a recíproca é verdadeira pelo lado de Paul.
-- Eu já tinha ouvido o primeiro CD deles e gostado. Nos conhecemos durante uma entrega de prêmios e gostei da atitude deles, diferente das bandas coloridas. Isso me chamou a atenção -- conta Paul. -- Então, a gente conversou nesta mesma noite da festa e combinamos de fazer um disco juntos, e gravamos ‘STEVENS’ no final de 2010 e começo de 2011, num estúdio em São Paulo.
Ralphes disse que logo sentiu que eles tinham muita influência do rock clássico inglês dos anos 1960 e 70. Isso também lhe chamou a atenção.
-- Algumas músicas tinham uns climas meio Kinks, Beatles, mas eles não queriam uma sonoridade antiga no disco, e sim algo mais novo, tipo Killers, Kaiser Chiefs. Então, tentei dar uma sonoridade retrô, mas ao mesmo tempo moderna. Tudo foi gravado com amplificadores e guitarras vintage e novas, e um piano de verdade, nada foi simulado. É como se fosse um álbum dos anos 60/70 gravado com equipamentos de hoje, com som de hoje, com mais punch -- explica Paul Ralphes.
Por isso, gravar ‘STEVENS’ foi fácil e divertido para ambos os lados. E o trabalho fluiu tão bem que foi todo completado em apenas 18 dias. Contudo, ouvindo o disco, nota-se um resultado rebuscado e refinado, nada apressado, que bem poderia ser daqueles que as grandes bandas estabelecidas levam meses e meses produzindo. Não com o STEVENS. Os meninos sabem muito bem o que querem e mostram isso neste disco.
Por Tom Leão
Maio de 2011
